Especialistas descobriram a existência de uma fossa comum em um antigo orfanato católico na Irlanda, onde estariam enterrados sem identificação 800 bebês e crianças. O caso gerou repercussão na Europa no começo de março.
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| O antigo orfanato “Bon Secours Mother and Baby Home”, em Tuam, na Irlanda / Imagem: EPA |
Testes de DNA apontaram que as crianças enterradas nas 20 câmaras da fossa tinham idade entre 35 semanas e 3 anos. A investigação foi feita por uma comissão, instituída pelo governo local para apurar a atuação de centros religiosos no auxílio a jovens grávidas, após uma denúncia da historiadora Catherine Corless, que descobrira a certidão de óbito de 800 crianças residentes na instituição, mas nunca os registros de enterro delas.
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| Local onde foi encontrada fossa com cerca de 800 bebês no orfanato “Bon Secours Mother and Baby Home”, na Irlanda / Imagem: EPA |
Localizado na cidade de Tuam, o orfanato “Bon Secours Mother and Baby Home” funcionou entre os anos de 1925 e 1961 como um lar para crianças e mães solteiras jovens.
A comissão afirma que as mulheres e jovens que viveram nas casas católicas e conventos sofreram fome, miséria e tratamentos violentos, o que levou à morte de várias meninas e de seus bebês.
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| Crianças no antigo orfanato “Bon Secours Mother and Baby Home”, na Irlanda / Imagem: AdoptionRightSalliance |
Muitas jovens trabalhavam gratuitamente em troca do auxílio das freiras na gravidez e no parto. Após os bebês nascerem, eles eram colocados em uma ala separada da de suas mães e entregues para adoção.
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| Crianças brincando no orfanato “Bon Secours Mother and Baby Home”, na Irlanda / Imagem: AdoptionRightSalliance |
Lançado em 2013, o filme “Philomena” narra um episódio inspirado em fatos reais ocorridos na Irlanda em 1952, com uma mulher que engravidou na adolescência, foi mandada para o convento Roscrea e teve seu filho vendido pelas freiras católicas.
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| Berçário no antigo orfanato católico de Tuam, na Irlanda / Imagem: AdoptionRightSalliance |
Em 2014, a mulher que inspirou o filme, a irlandesa Philomena Lee, reuniu-se com o papa Francisco, no Vaticano. Atualmente, ela está à frente do “Philomena Project”, que tenta ajudar outras mães a encontrarem seus filhos e luta para que o governo irlandês promulgue uma lei que permita consultas a registros de crianças adotadas.

































